Nós na Contramão


28/03/2007


                                                   Imagem da Web

 

De ausência se fez a presença

De partida a chegada

De pegadas o caminho quieto

De movimento se fez a parada

A necessidade cruel

De andar de estrada em estrada

Leva e traz esperança

Mas sempre vem mais tristeza

Nesta dança desperdiçada

Como é longe o fim do mundo

Pra quem vaga buscando o nada

Numa rima mal fadada

Ao infortúnio solitário

Escrito por Lex às 14h42
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26/03/2007


                                                                Imagem Filipe Santos

 

 

Importante se viver um dia de cada vez

Desvendar um segredo a cada dia

Sentir a vida em cada momento

60 segundos por minuto

60 minutos por hora

24 horas por dia

30 dias por mês

12 meses por ano

Vários anos em uma vida

E tantos segredos a guardar

 

Difícil compartilhar as coisas guardadas

Tão fácil compartir o tempo

Dar as costas às mágoas

E assim mesmo permanecer com elas

Fingindo que tudo vai bem obrigado

Que o sol não incomoda,

Que a chuva não deprime,

Que o relógio perdoa

E que a cadeira não está vazia.

Escrito por Lex às 13h44
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24/12/2006


                                               Imagem da Web

 

Devaneio XXIX

 

 

Estreito ao peito o ontem

Longínquo passado, presente

Memórias vívidas de vontades perdidas

Perdidas memórias de esquecidas vontades

Caminhos percorridos, estradas vencidas

Batalhas perdidas na guerra perene

Estremecido ser por conquistas

Pois toda luta deixa feridas

Por mais nobre que a seja

Pedaços de lanças cravadas

Gravadas lembranças no cerne da alma

Paixão resolvida no fundo do copo

E o barco que ao longe

Só faz naufragar

Aderno ao leito num momento de morte

Ate quando esse corte

Insistirá em sangrar?

Escrito por Lex às 21h12
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21/12/2006


Pai Nosso Neruda

                                                       Imagem Web Pedro Libório

El Barco

Un poema de Pablo Neruda -1959-

 

Pero si ya pagamos nuestros pasajes en este mundo
por qué, por qué no nos dejan sentarnos y comer?
Queremos mirar las nubes, queremos tomar el sol y oler la sal,
francamente no se trata de molestar a nadie,
es tan sencillo: somos pasajeros.
 

Entonces, qué les pasa?
Por qué andan tan furiosos?
A quién andan buscando con revólver?

Nosotros no sabíamos
que todo lo tenían ocupado,
las copas, los asientos,
las camas, los espejos,
el mar, el vino, el cielo.

Ahora resulta
que no tenemos mesa.
No puede ser, pensamos.
No pueden convencernos.
Estaba oscuro cuando llegamos al barco.
Estábamos desnudos.

Todos llegábamos del mismo sitio.
Todos veníamos de mujer y de hombre.
Todos tuvimos hambre y pronto dientes.
A todos nos crecieron las manos y los ojos
para trabajar y desear lo que existe.

Y ahora nos salen con que no podemos,
que no hay sitio en el barco,
no quieren saludarnos,
no quieren jugar con nosotros.

Por qué tantas ventajas para ustedes?
Quién les dio la cuchara cuando no habían nacido?

Aquí no están contentos,
así no andan las cosas.

No me gusta en el viaje
hallar, en los rincones, la tristeza,
los ojos sin amor o la boca con hambre.

No hay ropa para este creciente otoño
y menos, menos, menos para el próximo invierno.
Y sin zapatos cómo vamos a dar la vuelta
al mundo, a tanta piedra en los caminos?

Sin mesa dónde vamos a comer,
dónde nos sentaremos si no tenemos silla?
Si es una broma triste, decídanse, señores,
a terminarla pronto,
a hablar en serio ahora.

Después el mar es duro.

Y llueve sangre.

 

Pablo Neruda
Navegaciones y Regresos (1959)
 

Escrito por Lex às 23h29
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20/12/2006


 

A esmo 

 

Não há paz sob este inferno

Nem sol nesta penumbra

Nem certeza de amanhãs

Nem depois

Não há nada neste nada

Onde nada habita

Onde nada há

Não há lua nesta noite

Muito menos chuva neste deserto

Apenas um sonho

Um desejo de achar a caixa preta

De encontrar uma saída pra este nada

Pra isto que hora me invade

E hora me abandona

Não há céu nem inferno

Nem anjos nem demônios

Nem santos nem deuses

Nem esperança nem nada

Muito menos fé

Fé cega

Aquela que alivia, revigora

 

Não há sol neste céu

Nem estrelas nesta noite

Apenas eu e o nada

Apenas o nada e eu

Nadando para permanecer

Não há vento nesta calmaria absurda

Nem vela pra tocar o barco

Nem aniversário pra soprar a vela

Nem seda para fumá-la

Nem sonhos pra alimentar a esperança

Nem dança pra embalar o corpo

Nem corpo pra ter ouvidos

Nem vontade de música

Nem som nem sombra

 

Inércia que nem o tempo consome

Fome de mais sem nada para o espírito

Sem santo, sem culpa

Sem religião nem pecado

Destino certo, fadado

Ao léu andam os segundos

E o relógio nem ai

Não há aqui nem tampouco lá

Não há nada nisto

Insisto, será que ainda existo?

Escrito por Lex às 18h44
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17/12/2006


                                                Imagem da Web

 

Devaneio XXVIII

 

Na vida há tempo

Tempo de estar e viver com muitas pessoas

Há tempo de se estar só

Tempo de novamente estar com muitos

E então sozinho novamente

Tempo de reflexão, silêncio

De musica alta e ócio

De batalha e fé

Na vida há tempo pra tudo

E nela há tempos de renovar a esperança

E perde-la novamente sem perder a vida

Na vida há tempo de encontrar-se

E de perder-se

Na vida há tempo pra tudo

E este tudo sempre gira em volta do tempo

Tudo, tempo, gira, volta

A vida neste tempo.

Escrito por Lex às 22h56
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11/12/2006


                                                   Imagem da Web

 

Ensaio XCII

 

Põe tua mão sob a minha

Põe e te mostrarei esperança

Mostrarei-te vontade de vida

Calmaria pra luta

Mostrarei-te um ensaio de felicidade

Põe tua mão sob a minha

E te farei recordar com saudades

A criança que esquecestes em ti

E que apesar do tempo

Nunca deixastes de ser

 

Põe tu mão sob a minha

Vamos brincar de sorrir

E fingir que a vida é bela

E que o tempo não passa

Que os olhos não choram

Que o coração não sofre

Põe tua mão sob a minha

Vem crer na inocência

Na verdade mentida mundo afora

Na solidão que acompanha a muitos

E na mentira que alegra a tantos

Põe tua mão sob a minha.

Escrito por Lex às 19h55
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09/12/2006


                                                                           Imagem da Web

 

Ensaio XCI

 

Observo tua foto no porta-retrato

Ali estás, imóvel, silencioso

Nada dizes, talvez ouças

Quem poderá saber?

Sinto a saudade no fundo do peito

Como a fome consumindo a alma

Por tudo aquilo que deixei de ouvir

Por tudo aquilo que me recusei a entender

E tu hoje, apenas uma figura num papel colorido

No porta-retrato da sala, no centro da mesa

E eu por minha vez,

Um filho que se transformou em pai

E agora já não tem mais a quem copiar.

Escrito por Lex às 21h22
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Reminiscências Republicado

 

                                                                            Imagem da Web

 

Ensaio LXV

 

Fui bobo por acreditar em ti

Por acreditar que serias tudo pra mim

Acreditar no teu jeito suave,

No teu carinho, no teu colo

Bobo por imaginar que em algum momento

Poderias tentar entender-me

Mesmo assim ainda te admiro

Afinal bobo é o que sempre serei

Porque sempre hei de querer demais

Com esse meu jeito bobo de ser

Escrito por Lex às 02h02
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07/12/2006


                                    Salvador Dali

 

Ensaio XC

 

Distorção cruel

Distração maleva que o tempo vergasta

Distensão do músculo que teima em bater

Deterioração da massa que tenta entender

O nada que acontece por si só

Dó sem lá, sem viola, sem tom

Sem som, sem ritmo

Somente coração agora sem vida

Sequer barulha esta caixa vazia

Apenas historias sem nada

Escrito por Lex às 20h04
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05/12/2006


Reminiscências Republicado

 

                                                   Imagem da Web

 

Ensaio XLVIII

 

Abraça-me forte

Faz-me crer na inocência perdida

Deixa-me burro, deixa-me louco, deixa-me tonto

Abraça-me e te prometo fazer-te faltar o ar

E depois te convido pra um sorvete

Quem sabe uma volta no parque

Sim na gangorra...

E depois mais um abraço

Até que não desejes mais brincar

E nosso momento jamais termine

Escrito por Lex às 20h21
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16/11/2006


                                                                                        Imagem da Web

 

Devaneio XXVII

 

Bato a porta,

Bato na porta

Fechada, fechado olhar então

Não mais ao teu lado estarei

Nem ao meu estarás

Pra onde vou?

Não sei

Apenas aqui não permaneço mais

Então bato, bato a maldita porta

Fecho-a com quem se fecha pra vida

Pela vergonha ou medo de se saber

O que há lá fora

Pelo frio na espinha

Por aquele cisco no olho

Pelo nó na garganta

É por isso exatamente

É bem por isso

Que bato, bato a porta

Escrito por Lex às 17h00
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14/11/2006


                                                                        Imagem da Web

 

 

Ensaio LXXXIX

 

O som da vida me inspira

Faz-me querer o que mereço

Faz-me crer no que duvido

E apegar-me ao que temo

E ao mesmo tempo desejo

Amor incondicional

Amor pra dar e vender

Escrito por Lex às 21h17
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13/11/2006


                                                                                Imagem da Web

 

Devaneio XXVI

 

Imóvel permanece o ser

Consciência absurda, cruel

Quem és tu?

Quem sou eu?

Nada sei nesta desilusão

Desisto do agora que se fez em vão

Corro sem rumo

Espero que o tempo leve e traga a tona

Aquilo que eu era ou será que ainda sou?

Quem sou eu?

Quem és tu?

Já não nos conheço

Já não nos vejo

Perdi a noção do norte uma vez tão certo

Perdi o que parecia exato

A certeza, a calma

Que sequer em lágrimas se transformou

Quem és tu?

Quem sou eu neste não sentir?

Neste não saber se quer ainda

Então permaneço

Escrito por Lex às 20h08
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10/11/2006


Reminiscências Republicado

 

                                                                           Imagem da Web

Ensaio XXX

 

Tua boca é minha fonte de inspiração.

Tuas palavras tranqüilas minha própria salvação.

Teu ser meu desejo.

Teu amor minha vontade.

Tu, esperança de luz em meio a escuridão.

Escrito por Lex às 22h28
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